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sábado, 23 de abril de 2011

Manual do Jornalista Vendido: O Senso Comum

Neste terceiro guia da série, irei ensinar uma das melhores ferramentas do jornalista vendido. Mas antes, você precisa entender como flui a informação. Divido o universo das notícias em três níveis: o inferno das pessoas esclarecidas (ex.: escrever sobre indígenas para antropólogos), o limbo dos que têm dúvidas (ex.: escrever sobre indígenas para quem irá conferir a informação) e o paraíso do senso comum. Este último, como o nome diz, é o paraíso. É nele que o jornalista vendido deve atuar.

Para explicar, vamos usar um exemplo prático:

“7 de abril de 2011. 8h30min. Um atirador entra numa escola com duas armas e causa um massacre”. Uma notícia chocante é um terremoto. Depois do terremoto vem o tsunami de opiniões. A maioria delas será de senso comum. 



Aí o jornalista vendido ataca! Como?

Em primeiro lugar, você sabe que seu cliente pode ser responsabilizado por isso. Em segundo, também sabe que ele se interessa pelo fim do comércio legal de armas. Há alguns anos, ele fez um plebiscito para acabar com elas e não conseguiu. TERREMOTO! Lá vem o tsunami... A primeira coisa que você precisa saber é que o senso comum é burro e maniqueísta (ou tudo é bom ou tudo é ruim). Para o senso comum: armas = violência = crianças mortas. Sem meios termos. Logo: sem armas, sem violência, sem crianças mortas. O problema não é o tráfico de armas pelas fronteiras é o comércio legal de armas! Não são fronteiras são armas! Fronteiras: NÃO, armas: SIM! Repitam, crianças. Repitam! Repitam! Pronto... Você usou o senso comum para plantar uma ideia e, ainda, tirou o foco da responsabilidade de seu cliente no caso (as fronteiras). Meu colega, Paulo Henrique Amorim, ainda conseguiu atacar o PIG (veja). Mas isto é para os mestres. Muito avançado para iniciantes. 

No Brasil, existem muitos assuntos no senso comum: Ditadura ruim. Homossexualidade legal. Questão racial. Privatização vendilhona. FHC malvado, Lula salvador. Rico malvado, pobre salvador. Logo: FHC é rico e Lula pobre. Mulheres vencedoras. Ambientalismo fundamental. Estados Unidos imperialista. Cuba perfeita... Dentre vários e vários outros. Estes sensos comuns foram alimentados, por anos, pela esquerda brasileira. As pessoas realmente acreditam neles. Por isso, sempre que uma notícia puder pender para o negativo, o senso comum sempre pode virar o jogo. 

Utilize bem esta ferramenta e seja um jornalista vendido VENCEDOR!

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