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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Especial: O Dia com a Presidente (Final)

Acompanhe a segunda e última parte da minha visita à presidente Dilma:

Depois do café-da-manhã agradável na Granja do Torto, acompanhei a presidente Dilma até o Palácio do Planalto. Ao chegar lá, a presidente cumprimentou todos com um carinho inenarrável. Logo em seguida, dirigiu-se rapidamente para seu gabinete para iniciar os despachos. Na porta uma placa escrita “Presidente da República”, fiz menção de entrar, mas fui impedido antes que cometesse uma gafe. Não era ali a sala de Dilma. Andamos mais um pouco e vi uma porta pequena que parecia a de um armário, nela escrito “Puxadinho”. Dilma e sua comitiva entraram lá. Indaguei o motivo daquilo e responderam que a outra sala ainda pertencia a Lula e ninguém entrava lá. Estava guardada para sua gloriosa volta.

Depois do despacho, Dilma se reuniu com lideranças do PMDB para tratar da crise entre o partido e o PT. Eu não pude acompanhar a reunião, mas da porta deu para ouvir os gritos agradáveis que saiam de lá. Após alguns minutos, um deputado peemedebista sai alegre, bate na calça e me fala sorrindo: “melhor cem mil na cueca do que um na poupança, né não, Nassifra?!” Fui obrigado a discordar...

Logo em seguida, a presidente foi até uma escola próxima ao Palácio para um visita. Uma das crianças levantou a mão e Dilma perguntou:
- Qual é o seu nome, meu filho?
- Paulinho.
- E qual é a sua pergunta?
- Eu tenho três perguntas.
- A primeira é “Aonde está o dinheiro do cofre do Adhemar?”
- A segunda é “Quem matou o Prefeito Celso Daniel?”
- E a terceira é “A senhora sabia dos escândalos do mensalão ou não?”.
Dilma ficou desnorteada, mas neste momento a campainha para o recreio toca e ela aproveita
e diz que continuará a responder depois do recreio.

Após o recreio, Dilma diz:
-OK, onde estávamos? Acho que eu ia responder perguntas. Quem tem pergunta?
Um outro garotinho levanta a mão e Dilma aponta para ele.

- Pode perguntar, meu filho.
- Como é seu nome?
- Joãozinho, e tenho cinco perguntas:
- A primeira é “Aonde está o dinheiro do cofre do Adhemar?”
- A segunda é “Quem matou o Prefeito Celso Daniel?”
- A terceira é “A senhora sabia dos escândalos do mensalão ou não?”
- A quarta é “Porque o sino do recreio tocou meia hora mais cedo?”.
- A quinta é “Cadê o Paulinho?” 

Saímos rapidamente da escola por causa de uma emergência nacional.

Ao final desta alegre visita à escola, Dilma voltou para a Granja do Torto e fui impedido de acompanhar o final do dia da presidente.
Apesar do encerramento súbito, deu para considerar bastante produtivo o nosso dia com a presidente Dilma. Fico no aguardo de um novo convite.

Ps.: Se alguém souber do paradeiro de Joãozinho, a família está procurando...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Especial: O Dia com a Presidente (Parte 1)

Convidado pela assessora especial e professora de reto-tórica da Presidência, a sra. Caguinha de Ilhéus, passei o dia seguindo a agenda da presidente Dilma Hussein. Claro que me enchi de orgulho por ser o primeiro jornalista do país a assistir como trabalha a capitã do Titanic chamado Brasil.

Antes de mais nada, quero dizer que fiquei bastante impressionado com a humildade da presidente. Muito simpática, trata todos os funcionários com um carinho admirável.

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Agora, acompanhem a primeira parte deste especial com o cotidiano da primeira presidente mulher, e do sexo feminino!, do Brasil:

Cheguei na Granja do Torto bem cedo, pois fui informado que a presidente madruga. Como um golpe de sorte, entrei no exato momento em que ela acordava, um pouco depois das 10hs da madrugada. Conversei com sua ajudante de ordem e perguntei como era trabalhar com Dilma: “ainda estamos nos acostumando a trabalhar assim logo pela manhã, Lula só acordava às 14hs”. Dilma mudou mesmo o ritmo da casa!

Fui para o lugar em que a presidente tomaria seu café-da-manhã no momento em que um funcionário saía com garrafas de cachaças, enquanto levava um esporro do copeiro: “eu já não lhe disse que ela não é o Lula, tire essas coisas daqui!” - assim que me viu, falou - “sente-se, sr. Nassifra a presidente já vem”.

Mal deu tempo de tomar meu lugar e a presidente entrou com sua simpatia natural: “cadê a droga do meu café-da-manhã? Vocês já se atrasaram de novo?!”. Sentou e eu a cumprimentei: “bom dia, presidente! Que honra lhe ver depois de...” - fui, generosamente, interrompido por ela que afirmou: “nem vem, Nassifra, o que você quer?! Seu dinheiro já foi depositado por Erê (Erenice Guerra, primeira-dama da República). O desconto dos 6% é a taxa de sucesso que você já está careca de saber...” Assim que ela terminou o caloroso cumprimento, expliquei o motivo da minha visita. Como se fosse possível, Dilma se tornou mais receptiva ainda: “P#$@, nada de foto, Celso (Kamura, cabeleiro oficial) tá de férias...”

Expliquei que não seriam necessárias fotos, pois o povo brasileiro via o sorriso dela, naturalmente, toda vez que fechava os olhos...

Logo depois deste descontraído bate-papo, o copeiro entrou com o modesto café-da-manhã. Dilma lhe recebeu com um simpaticíssimo “bom dia” que dispensa transcrição.

Mas, agora, pegue seu caderninho e anote o conteúdo da cesta de café da presidente e faça igual na sua casa (lembre-se de usar seu Cartão Bolsa Família Plus):

  • Croissant decorado com ouro comestível e diamantes 
  • Geléia artesanal de groselha 
  • Uma xícara de café de Kopi Luwak, da Indonésia. 
  • Para finalizar, um coquetel com licor Chambord de framboesa e champagne. (Fazendo a linha fome zero, a garrafa do licor é feita com ouro, diamantes e pérolas) 

Eu assisti a presidente comer, enquanto lia o Diário do ABC. Eu não me convidei, pois já tinha jantado na noite anterior. Depois de se deliciar com seu tradicional café-da-manhã brasileiro, Dilma se levantou e foi se preparar para ir ao Palácio da Alvorada. Mas sem antes dar uma passadinha com o AeroLula em São Paulo para um rápido almoço no Fasano.

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Não perca amanhã a segunda parte deste Especial com a rotina de Dilma no Palácio da Alvorada. Até lá...

Ps.: Morra de inveja PH Amorim!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Manual do Jornalista Vendido

Você não consegue emprego em um grande veículo ou foi demitido por escrever bobagem demais? Tudo isso, , porque é um militonto de esquerda? Está revoltado e quer se vingar? Siga os 10 passos do manual e seja um jornalista e/ou blogueiro famoso na esgotosfera. Sucesso!

  1. Jornalismo imparcial só existe na universidade! Tanto faz ser de direita ou de esquerda, escolha sempre o lado que lhe paga mais.
  2. Obviamente, petistas pagam mais!
  3. Caso seus leitores sejam petistas, pode parar por aqui, pois qualquer coisa que você escrever, eles irão acreditar. Se não forem, siga adiante.
  4. O importante é sempre agradar aos petistas. Esqueça seu caráter, sua ética e seu senso crítico. Sempre escreva textos positivos.
  5. Diga que os petistas são a solução de todos os problemas. O importante é fazer os leitores acreditarem que tudo de bom não existia antes do PT. Convença que a totalidade da existência era ruim antes dele. Inclusive as coisas ruins feitas por petistas ponha a culpa em quem veio antes.
  6. Caso surjam notícias negativas, siga os seguintes passos: 1. diga que é mentira. 2. Se provarem ser verdade: diga que não tem nada demais. 3. Se a última não funcionar: diga que todo mundo faz o mesmo. 4. E o mais importante: instrua o petista a se fazer de vítima. Mas fique tranquilo, nisso eles são expert.
  7. Quando se referir à grande imprensa, chame-a de “mídia”. É sempre bom fazer média com os petistas. Eles adoram...
  8. Além de chamar de “mídia”, alimente a teoria conspiratória do PIG (Partidos da Imprensa Golpista). Diga que o PIG quer enfraquecer as instituições. Se seus leitores acreditarem, ficará muito fácil desmerecer qualquer matéria com: “E quem acredita no PIG?”
  9. Quando perder um debate, seja agressivo com os oposicionistas. Sempre os ofenda com frases interrogativas. Por exemplo: “Você é tão idiota quanto parece, seu alienado?”
  10. Se lhe faltar argumentos encha o texto com “Hahaha!”, não importa para qual veículo ou meio escreva. Tente ser irônico, mesmo que não consiga, pois o importante para ser um jornalista vendido é saber fingir.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Benditas Férias, Lula!


Enquanto Lula passava a semana no Forte dos Andradas, área militar que escolheu para seu veraneio em família, Dilma se escondia no Palácio do Alvorada atrás de medidas que soavam como uma arrumação na casa. A nova presidente não fez nenhuma aparição pública. A imprensa em geral justificou este sumiço pintando Dilma como workaholic, dedicada, metódica, pontual e outros adjetivos positivos. Pura bobagem! Outro suposto motivo para seu desaparecimento (e o mais popular entre o palacianos) seriam as férias de seu imprescindível cabeleireiro, Celso Kamura. Férias bem convenientes, diga-se...

“Benditas férias de Kamura!” é o som do alívio que ecoa nos corredores do Palácio. A primeira semana sem Lula teve a mesma cara de seus oito anos de governo: repleta de escândalos. Começou com as próprias férias de Lula, em um forte militar, na cidade praiana de Guarujá. O ex-presidente e sua família se hospedaram lá da mesma forma que faziam quando ainda estavam no poder. Mas não estão mais, por mais inaceitável que lhes pareça. Imediatamente a imprensa nacional questionou a legalidade disto. Afinal, um ex-presidente tem o direito de usufruir instalações públicas para seu lazer? Claro que não. Por isso, imediatamente, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu que Lula estava lá convidado por ele. E pode? Claro que não, de novo. Mas todos aceitaram, como de praxe. Mas, como tudo na terra de Lula, não ficou por aí. Um dia depois surgiu um novo escândalo: os filhos de Lula haviam renovado seus passaportes diplomáticos a poucos dias do final do governo. Bomba! Depois do assunto assumir proporções incomodáveis para os petistas, o filho do ex-presidente, Marcos Lula, disse no Twitter que iria devolver o seu. Em tom de revolta, assumiu a posição de vítima, falou que nunca tinha usado o passaporte e que aquilo era golpismo da imprensa. Muitos petistas saíram em defesa da legalidade de Marcos Lula usar o passaporte. Porém, ele nunca teve direito. Filhos de autoridades só podem usufruir de passaporte diplomático até os 24 anos – e se estudarem (costume não difundido entre os Lulas!) Mas há uma brecha na lei: caso o dependente tenha algum tipo de deficiência, não há limite de idade. A não ser que Marcos Lula, de 39 anos, tenha algum tipo de doença mental hereditária (o que não causaria surpresa), o uso do passaporte por ele é ilegal. Mesmo que fosse deficiente, sendo assim, permitido - agora não seria mais, já que Lula não é mais autoridade...

Lula não é mais autoridade! Mas a postura autoritária não lhe deixa. No apagar das luzes de seu governo tomou medidas que constrangeriam qualquer petista com o mínimo de vergonha na cara. Essas medidas ecoam no início do governo Dilma como fantasmas. “Bendidas férias de Kamura!”, realmente... Se Dilma tivesse seguido o exemplo, exibicionista, de seu antecessor, estaria em uma posição complicada. Não é segredo que Dilma tem dificuldade em se expressar. Mais precisamente de completar raciocínios. Caso ela tivesse dado entrevistas esta semana, teria sofrido com uma exposição negativa. Mas, ao se esconder, a (sim!) herança maldita de Lula não lhe atinge, a princípio. Precisamente por Dilma ter assumido, aparentemente, uma postura totalmente diferente da de Lula. Seu governo passa uma imagem mais responsável e pragmática. A começar na primeira segunda-feira do ano, quando foi anunciado o interesse em privatizar alguns aeroportos. Se isso for realmente verdade, e Dilma se mostrar mais preocupada com as ações de seu governo do que com as manchetes, ela seria (totalmente) diferente de Lula. Mesmo que não seja verdade, as diferenças entre os dois governos já são evidentes. Já, de cara, pelo controle da base aliada. Lula sempre foi o “Sr. Governabilidade”. O PT estava no seu bolso e outros partidos eram agraciados com cargos, promessas e mensalões. Todo mundo de bolso cheio! Lula conseguia unir interesses conflitantes dos outros em prol de seus interesses pessoais. Lula criou um monstro... Claro que isto não daria certo! Agora Dilma sofre numa crise PT x PMDB. A briga por cargos assume proporções inacreditáveis. Quanto maior a verba controlada, pior. Pois, quanto mais dinheiro em jogo, mais lucrativo. Mas não são só PMDB e demais partidos da base que estão insatisfeitos. Vários petistas também. Eles se sentem injustiçados: “Dilma é uma mal agradecida”. É de entender, afinal, os reclamantes investiram pesado na campanha de Dilma. Se esforçaram para elegê-la e, muitas vezes, com métodos escusos. Agora que esperavam lucrar: “nenhum carguinho?”

Mesmo que Dilma estivesse com as melhores das intenções, a máquina que foi criada para elegê-la não a permitirá governar sem ser "recompensada". Os últimos anos de governo Lula os deram a sensação de “indestrutíveis”. Eles ganharam muito em 8 anos, mas não estão satisfeitos – querem mais! Mas, não se animem, as intenções de Dilma não são altruístas. São uma questão de sobrevivência. Ou ela apertas os cintos, ou o Brasil entrará numa crise. Dívida pública superando trilhão, restos a pagar do governo Lula beirando os 150 bilhões e inúmeros gastos programados de um Estado inchado. Dilma precisa mudar a forma de governar o país ou afundará nossa economia num caos e correrá o risco de nem terminar seu mandato. Porém, com seus aliados querendo mais e mais, ela terá uma missão de não dar inveja a ninguém. Nem ao ex-presidente... Benditas férias, hein, Lula?!